terça-feira, 16 de julho de 2013

"Perfume de Jasmim" de Jude Deveraux [OPINIÃO]

Edição: 2013
Páginas: 364
Editor: Quinta Essência
ISBN: 9789897260636
 
Sinopse:
 
Charleston, 1799: Catherine Edilean Harcourt não tem falta de pretendentes na Virginia, e espera realizar o seu sonho de casar e ter uma família. Mas o espírito aventureiro do Cay é despertado ao visitar o seu padrinho na Carolina do Sul. Acamado com uma perna partida, ele pede a Cay que o substitua numa missão urgente: a caminho de um baile de máscaras, ela deve entregar um cavalo selado ao filho de um velho amigo… que por acaso também é um fugitivo acusado de assassinar a mulher! Cay concorda com o plano, que não corre nada como planeado... e encontra-se em fuga com Alexander McDowell. Embora devesse temê-lo, Cay sente-se atraída para Alex e convence-se da sua inocência enquanto procuram refúgio nos Everglades da Florida. Será que confiar nele vai ser o pior erro da sua vida? Ou apaixonarem-se será a salvação que ambos procuravam?  
 
Opinião:
 
Catherine Edilean Harcourt, conhecida como Cay, vê-se na iminência da possível aventura da sua vida, nem o decoro que lhe é exigido pela sua posição social a demovem de alinhar no plano do seu padrinho, T. C. Connor, em salvar Alex McDowell, acusado de matar a própria mulher na noite de núpcias.
 
E qual não é o espanto de Alex quando, ao fugir pela sua vida, se depara não com T.C. mas com a sua bela e delicada afilhada de vinte anos, num lindo vestido de baile.
 
O jovem escocês não tem outro remédio senão levar Cay consigo, partindo em busca de refúgio e da sua inocência.
 
Com o decorrer da viagem, Alex e Cay tornam-se íntimos, mas parece que Nova Orleães traz uma grande surpresa... surpresa esta que poderá pôr por terra o amor do jovem casal.
 
Conseguirão ultrapassar os obstáculos?
Será o bom nome de Alex restaurado?
 
Quem ainda não acompanha a série Edilean da fantástica autora Jude Deveraux, deverá apressar-se a fazê-lo, pois é uma das melhores na categoria de romance, seja ele contemporâneo ou de época, Jude Deveraux tem sempre as cartas certas a dar, e nunca, em todos os livros da sua autoria que tive o prazer de ler, desiludiu!
 
"Perfume de Jasmim" vem na sequência de "Dias de Ouro" cuja opinião podem consultar AQUI.
 
Cay não é a típica menina rica a que estamos habituados... Embora oriunda de raízes confortáveis, rapidamente se adapta às adversidades da sua realidade, moldando-se a seu favor, mesmo nas situações mais indesejáveis e que fariam as damas da sociedade desmaiar só de pensar!
 
Cay deixa as jóias e vestidos, por roupas de rapaz, trabalho forçado e um cabelo maltratado, em prol do seu bem estar e do de Alex.
 
Alex tem muitos segredos, em particular a sua aparência angelical e a sua verdadeira ligação com Nate, irmão de Cay, mas a sua inocência no suposto homicídio da mulher é verdadeira, e tudo fará para recuperar o seu bom nome.
 
Acontece que Alex não contava em apaixonar-se por Cay, vendo assim a sua vida complicar-se abruptamente.
 
Alex e Cay são um casal bastante caricato, embora não convençam de início, terminam da melhor maneira.
 
Confesso que até à viagem com Mr. Grady e Eli, a narrativa era um pouco repetitiva e aborrecida, mas assim que o casal protagonista finalmente cede à tentação, a trama ganha vida, mantendo uma leitura rápida e completamente viciante!
 
Além de Cay e Alex, outras personagens foram deveras interessantes de conhecer, principalmente os quatro irmãos da rapariga: 
Adam, o mais velho e respeitado; 
Ethan, cuja presença física não aconteceu, mas que segundo os relatos da irmã é o mais bonito da família;
Nate, o cientista e estudioso que pretere tudo a favor de um bom mistério;
e o mais novo e fanfarrão Tally, a dor de cabeça de Cay.
 
"Perfume de Jasmim" portou-se bem e encheu-me as medidas. Com romance, drama e acção, três elementos fulcrais para uma excelente estória.
 
De leitura fácil e rápida, com uma linguagem floreada e encantadora, adequado ao século XVIII, mas com personagens intelectualmente bastante maduras e bem à frente da sua era, conquistando o leitor pelos pequenos detalhes e pela visão vanguardista.
 
Jude Deveraux conquista mais um lugar de destaque na categoria de romance!
 
 
 
 
 
 

domingo, 14 de julho de 2013

"Um Desastre Maravilhoso" de Jamie Mcguire [OPINIÃO]

Edição: 2013
Páginas: 344
Editor: Editorial Planeta
ISBN: 9789896573751
Sinopse:
BOA RAPARIGA
Abby Abernathy não bebe, não pragueja e trabalha muito. Abby acredita que está enterrada no nefasto passado, mas, quando entra no colégio, os seus sonhos de ter um novo começo sofrem um desafi o numa noite.

MAU RAPAZ
Travis Maddox, sensual, bem-constituído e coberto de tatuagens é exactamente o que Abby precisa - e quer - evitar. Ele passa as noites a ganhar dinheiro num clube de combate e os dias no conhecido colégio Lothario.

DESASTRE IMINENTE?
Intrigado pela resistência de Abby ao seu charme, Travis entra na sua vida por uma aposta. Se perder, deverá viver em celibato durante um mês. Se Abby perder, terá de viver no apartamento de Travis por um período semelhante.

OU O PRINCÍPIO DE ALGO MARAVILHOSO?
De qualquer maneira Travis não faz a mínima ideia de que encontrou uma parceira de jogo à altura. Ou será o princípio de uma relação obsessiva e intensa que irá conduzi-los a um território inimaginável
…  
Opinião:
Abby tem um passado negro do qual pretende fugir para o resto da sua vida, por isso se muda de malas e bagagens para bem longe de Wichita, com a sua melhor amiga, America, na expectativa de que a sua entrada na universidade lhe dê um rumo novo à vida e a ajude a ultrapassar o passado.
Até que conhece Travis Maddox!
Travis é um bad boy. Sempre rodeados de mulheres, sexo sem compromisso, lutas e dinheiro fácil, mas que se deixa cativa pela inocência de Abby e se dispõe a mudar para a conquistar.
Acontece que Abby não está certa em relação à mudança de Travis e tenta manter a relação puramente platónica, tentanto sair com Parker, um simpático e atraente rapaz que frequenta a mesma universidade que Travis e Abby.
Usando uma aposta como forma de se aproximar de Abby, Travis não descansa enquanto não a reclama como sua, mas um dia o passado de Abby "bate à porta" e Travis muda.
Conseguirá Abby lidar com a intensidade de Travis? E com a sua posterior mudança?
Fantástico! 
"Um Desastre Maravilhoso" foi uma surpresa muito agradável e que me deixou em êxtase!
Abby experienciou vivências no passado das quais qualquer um gostaria de fugir. Mas, quando pensa que está segura e bem longe, o passado aparece reencarnado no rapaz por quem se apaixona, e por mais que tente fugir de Travis, o destino não a deixa seguir em frente.
Fiquei divida no que consta a Abby... ora se mostra bastante madura para os seus tenros 18/19 anos, ora se deixa iludir por uma aposta com (falsa?) ingenuidade. De forma geral, Abby é uma personagem agradável, assim como narradora.
Travis é o típico bad boy que todas as mulheres desejam ter e salvar! Ele é lindo, sensual, provocador, inteligente e a lista de qualidades continua....
O jovem estudante de Justiça Criminal é fascinante! Embora previsível, as suas acções são autênticas e apaixonam qualquer leitora!
No que respeita às personagens secundárias de maior relevância, tenho também algo a dizer:
America, a melhor amiga de Abby e namorada de Shepley, primo do Travis, é a paródia em mulher! Amiga da sua amiga, louca, divertida, mas acima de tudo, muito protectora em relação à sua querida Abby.
Shepley, primo e companheiro de casa de Travis, assim como namorado de America, mantém-se à distância, mas aparenta, logo de início, o seu bom carácter.
Parker foi a única personagem que me deixou confusa, pois não percebia os seus verdadeiros intentos. Por vezes era um cavalheiro, outras um estupor... Ora queria a Abby, ora resignava-se com a perda da mesma. Pensei que Parker teria um plano secreto contra Travis, o que apimentaria imenso a trama, mas tratou-se apenas de um rejeitado sem fairplay.
Jamie Mcguire está de parabéns, pois escreveu um excelente livro de "New Adult", com personagens vibrantes, muita acção e romance!
Depois de "Um Desastre Maravilhoso" fiquei completamente rendida a este novo género literário, e mal posso esperar por explorar mais!

«O Funeral da Nossa Mãe» - Célia Loureiro - OPINIÃO





Ficha Técnica:
 
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 438
Editor: Alfarroba
ISBN: 9789898455482

 
 
Sinopse:
 
Quando Carolina Alves se suicida, aos 58 anos, deixa um último pedido: o de que as suas três filhas se reúnam no seu funeral, na pequena povoação (fictícia) de Vila Flor, Alto Alentejo.Quer que participem na festa em honra da padroeira da mesma, pondo de lado o decoro esperado de três órfãs.

Luísa emigrou para França, é viciada em trabalho e despreza o seu passado. Praticamente jurara não voltar a pisar a vila da sua infância. Cecília, recentemente casada, é pianista de fama relativa e acabara de se mudar definitivamente para Vila Flor. Inês, que dedica a sua juventude às causas políticas, mal recorda um pai de quem se vai falar bastante e que morreu num trágico acidente de carro em vésperas de Natal...

Com a ajuda de Elisa, única irmã de Carolina, vão desvendar ao longo de quatro dias o passado inesperado da mãe, que não é bem aquilo que tinham julgado, e que cometeu um acto indesculpável para prender, há trinta e oito anos atrás, aquele que viria a ser o pai das suas três filhas...

 
Opinião:
 
«O Funeral da Nossa Mãe» é o segundo livro publicado da autora Célia Loureiro e foi a minha estreia com a autora. Meu Deus, que escrita! Amei cada palavra, de uma profundidade e de um sentimentalismo notáveis. A minha primeira reacção ao ler as primeiras linhas foi pensar no quão a autora é inteligente e madura, sendo tão jovem. É de louvar os temas que aborda e a forma como o faz, demonstrando uma experiência de vida que é difícil ter nesta fase da sua juventude.
A obra trata a história de três irmãs completamente distintas e separadas pelas circunstâncias da vida, que acabam por unir-se na tragédia, após o suicídio da mãe. Adorei cada uma delas, com personalidades devidamente vincadas: A Cecília, tão sonhadora quanto a própria mãe, que se refugia no piano para afastar os problemas, de um carácter ingénuo e encantador, que me arrebatou com aquela união ao Luís, o amigo e o amor de todas as horas; A Luísa, forte e destemida, uma mulher de armas e prática, pouco dada a sentimentalismos e irritante, por vezes, por ser tão terra-a-terra; e, por fim, Inês, a minha preferida, uma jovem mal-humorada e um pouco desbocada, que vê os homens como um todo, quando toca a estreitar relações, e que se sente reticente em confiar em qualquer um deles, até que João Pedro lhe muda o sentido da vida e lhe começa a amolecer o coração. Gostei da história por detrás desta Inês pouco feminina e que ninguém compreende e sofri com ela, quando era ainda uma criança, na casa de Julio e Leonor, e naquele diálogo magnífico que ela mantém com o João, por volta das duas da manhã, nas ruas de Vila Flor. Tive pena do rumo que as três irmãs tomaram ao longo da vida por causa do casamento fracassado dos pais e senti-me realizada quando finalmente se uniram em três dias longos e intensos, numa relação profunda que só os irmãos podem partilhar. Espero que dure a vida inteira.
É um romance bem estruturado e todas estas personalidades estão extremamente bem desenvolvidas, tendo em conta o passado das personagens e a vida conjugal dos próprios pais, Carolina e Lourenço, cuja história é contada ao pormenor. Não odiei a Carolina pelos erros que cometeu no passado. Era uma mulher sonhadora que fazia tudo por Lourenço, primeiro um amigo de longa data, depois uma paixão assolapada e sempre escondida e, por fim, um marido forçado. Tudo o que ela fez foi por amor e tive pena dela por não ter sido mais feliz, naquela insegurança dela e no alheamento da realidade, quando tudo o que importava era Lourenço. Tive pena que não conseguisse amar-se a si mesma mais do que ao próprio marido, e que não tivesse visto as filhas de outra forma. Já o Lourenço, foi para mim uma personagem estranha e ambígua: atraente e pouco afável, distante e retraído. Sinceramente, nunca o consegui perceber verdadeiramente, nem aos seus próprios sentimentos, e gostava de ter visto mais paixão da parte dele, embora compreenda que desejou sempre castigar a mulher por tudo o que lhe causou. Não gostei muito da Ingrid, achei-a snobe, algo cínica e sem grandes objectivos de vida, embora o Afonso tenha sido para ela uma lição que aprendeu a carregar no peito. E entre todos os personagens que, na minha opinião, deram vida à história, falta-me o Vicente, o marido recente de Cecília e o seu eterno segundo homem, que apesar dos defeitos, cativou-me por ser um homem extremamente atencioso, bem-humorado e apaixonado. Embora tenha tido algumas atitudes condenáveis, não é um homem que eu tenha odiado, pelo contrário, desculpei-o por todos os comportamentos que ele tinha com a Cecília, apesar das mentiras e verdades ocultas.
«O Funeral da nossa mãe» foi um livro que me soube a pouco no final, por ser tão bom e por desejar mais! Quero a continuação e quero também ler mais livros desta autora portuguesa, que é uma das provas de que há bons escritores em Portugal. Uma escrita maravilhosa, uma história memorável com personagens credíveis, diálogos e pensamentos sensíveis e que, confesso, me levaram às lágrimas algumas vezes. Desejo as maiores felicidades à Célia e que nunca páre, porque nasceu para isto. Espero um dia chegar apenas aos seus calcanhares. Obrigada por esta obra maravilhosa!