quarta-feira, 19 de março de 2014

"As Histórias de Terror da Entrada do Túnel" de Chris Priestly [OPINIÃO]

Edição: 2013
Págs.: 208
Editor: Arte Plural Edições
ISBN: 9789896920272

Sinopse:

Robert está entusiasmado: pela primeira vez, vai viajar sozinho de comboio! Está a caminho de um novo colégio e vai finalmente deixar para trás o tédio das férias, passadas em casa com a sua irritante madrasta. De início, a viagem ameaça ser bastante aborrecida, sobretudo quando o comboio fica parado, durante horas, à entrada de um túnel profundo e escuro. Mas, felizmente, Edward conta com a companhia de uma mulher, esguia e elegante, totalmente vestida de branco, que o vai entretendo com histórias? histórias cada vez mais arrepiantes e perturbadoras. À medida que o tempo vai passando, o comboio continua misteriosamente parado?

Opinião:

Localizado na época Vitoriana, Robert Harper dirige-se à sua nova escola, em Londres. Para tal, faz a sua primeira viagem de comboio.

Apesar da premonição da sua madrasta, que insiste que Robert corre perigo, o cepticismo do rapaz leva a sua avante, ignorando o aviso.

Algures durante a viagem, Robert descobre que algo se passa, e que o comboio está parado à entrada do túnel. E é nesse momento, que uma misteriosa mulher vestida de branco propõe contar histórias ao jovem, mas estas histórias são tudo menos convencionais, levando Robert para uma aventura insólita!

"As Histórias de Terror da Entrada do Túnel" traz-nos uma colectânea de novo contos bem assustadores, que nos deixam de cabelos em pé!

Para os mais susceptíveis a suspense, como eu, aconselho, vivamente, a não levarem a leitura a cabo durante a noite, pois terão pesadelos!

Todos estes contos giram à volta de crianças, tornando-os ainda mais arrebatadores e assustadores.

Confesso que embora a leitura seja rápida, não é, fácil. Alguns contos estão muito bem escritos, elevando as expectativas, enquanto que outros não de destacam pela sua genialidade, sendo, até, um pouco aborrecidos.

O que mais me impressionou neste livro, foi a coragem do autor ao resistir ao cliché em que o bom da fita é sempre o vencedor e cuja vida nunca é posta em causa. É um risco que o autor decide tomar, que, na minha sincera opinião, tem todo o sentido!

De uma forma geral, "As Histórias de Terror da Entrada do Túnel", é uma leitura satisfatória e recomendada a todos os que gostam de um pouco de adrenalina num bom livro.

Mesmo não sendo o meu estilo favorito, a qualidade da obra de Chris Priestly é notória, e será, concerteza, uma agradável surpresa para os leitores do género.
 

"Provocadora" de Madeline Hunter [OPINIÃO]

Edição: 2013
Págs.: 336
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789892325125

Sinopse:

Verity Thompson desapareceu no dia do seu casamento. O seu paradeiro manteve-se secreto durante dois anos. Um longo período em que o marido, o conde de Hawkeswell, viveu na penúria e na incerteza.
Verity deixou para trás uma fortuna imensa mas inacessível, pois o seu óbito não foi declarado. Nem poderia sê-lo pois ela está bem viva. Ao ser obrigada a casar, Verity fugiu de Londres e refugiou-se, incógnita, no campo. Sem qualquer interesse pelo título ou estatuto do marido, abdicou da sua fortuna em troca da liberdade. Mas o passado tem os seus próprios desígnios e a jovem vê-se agora obrigada a regressar à cidade e a um casamento sem amor.
Por seu lado, o arrogante Hawkeswell está disposto a chegar a um acordo: se Verity lhe conceder três beijos por dia, ele não a obrigará a cumprir os deveres conjugais. Mas, claro, há beijos e beijos… e Verity vai perceber até que ponto se arruinou ao entregar-se às mãos hábeis de um mestre.

Opinião:

"Provocadora" é o segundo volume da série "As Flores Mais Raras" de Madeline Hunter, vindo no seguimento de "Deslumbrante".

Os protagonistas, Verity e Conde Hawkeswell, são ambos amigos dos casal protagonista do primeiro livro: Audrianna e Lorde Sebastian Summerhays, e apesar dos primeiros serem casados, tal conhecimento das suas amizades, só chega dois anos após a união... e consequente desaparecimento da noiva por igual período de tempo, Verity.

Verity Thompson não tem um título, mas tem a riqueza, enquanto que Hawkeswell tem o título, mas não a riqueza.

Com a morte do pai de Verity, o seu primo, Bertram assume as rédeas do futuro da prima, e, conciliando os seus próprios interesses, organiza o casamento da jovem e do conde, apesar dos seus piores intentos e da inegável recusa de Verity. Mas, o primo não contava com a audácia de Verity, que foge após a boda, devido à quebra da promessa que Bertram lhe fizera de forma a levar a sua avante com o casamento arranjado.

Acaso do destino, dois anos depois o par volta a reencontrar-se, na propriedade Daphne Joyes, onde se encontra o negócio de floricultura "Flores Preciosas", de forma surpresa e controversa, reacendendo raivas do passado, mas respondendo a muitas questões.

Verity vê-se num casamento indesejado, fazendo de tudo para o anular, mas o seu marido parece ter outros planos, pretendendo seduzir a sua mulher.

Para além das dificuldades de interacção e opiniões distintas entre o casal, Verity e Hawkeswell têm, ainda, que enfrentar o mundo, e os parentes de má índole.

Apesar do apoio de Lorde e Lady Summerhays, é ao Conde e à Condessa Hawkeswell que compete achar a conclusão mais confortável para ambos, o que se torna difícil, quando querem coisas diferentes.

"Provocadora" é o típico romance de época da favorita Madeline Hunter, e apesar de cliché, é sempre uma leitura agradável e fresca, repleta de romance e sensualidade, assim como drama q.b.!

Verity é uma personagem fora do comum, ao invés de ingénua e submissa, a jovem é inteligente, determinada e audaz. Capaz de fugir a um casamento combinado, deixando para trás todas as comodidades da sua riqueza, em prol da liberdade.

Conde Hawkeswell é bastante pacífico, mesmo que resoluto, de carácter bastante passivo, mas também apaixonado. 

Embora não se revele uma leitura de grande intensidade, não é superficial ao ponto de ser aborrecida, muito pelo contrário!

Madeline Hunter não desaponta! Apesar dos muitos romances já publicados, consegue sempre trazer algo de novo, continuando a coleccionar leitores!

"As Flores Mais Raras" é uma série a ter em conta, tanto pelo seu entretenimento, como pela sua ligeireza, dois pontos positivos para quem aprecia uma leitura rápida e fácil.
 

terça-feira, 18 de março de 2014

"Divergente" de Veronica Roth [OPINIÃO]

Reimpressão: 2014
Págs.: 352
Editor: Porto Editora
ISBN: 9789720043818

Sinopse:

Na Chicago distópica de Beatrice Prior, a sociedade está dividida em cinco fações, cada uma delas destinada a cultivar uma virtude específica: Cândidos (a sinceridade), Abnegados (o altruísmo), Intrépidos (a coragem), Cordiais (a amizade) e Eruditos (a inteligência). Numa cerimónia anual, todos os jovens de 16 anos devem decidir a fação a que irão pertencer para o resto das suas vidas. Para Beatrice, a escolha é entre ficar com a sua família... e ser quem realmente é. A sua decisão irá surpreender todos, inclusive a própria jovem.

Durante o competitivo processo de iniciação que se segue, Beatrice decide mudar o nome para Tris e procura descobrir quem são os seus verdadeiros amigos, ao mesmo tempo que se enamora por um rapaz misterioso, que umas vezes a fascina e outras a enfurece. No entanto, Tris também tem um segredo, que nunca contou a ninguém porque poderia colocar a sua vida em perigo. Quando descobre um conflito que ameaça devastar a aparentemente perfeita sociedade em que vive, percebe que o seu segredo pode ser a chave para salvar aqueles que ama... ou acabar por destruí-la.

Opinião:

"Divergente" é o primeiro da trilogia distópica de Veronica Roth.

Neste primeiro volume conhecemos a protagonista, Beatrice Prior, que passa a ser Tris quando a sua mudança de facção.

A sociedade em que Tris se insere está dividida em cinco facções

Os Abnegados, que são os altruístas, e onde a jovem é criada; 
Os Cordiais, amigos do próximo; 
Os Eruditos, os inteligentes; 
Os Cândidos, sinceros acima de tudo;
E os Intrépidos, os corajosos, e aos quais Tris se junta após a cerimónia.

Desde cedo que o processo de Tris é, claramente, fora do vulgar:
Com um teste de aptidão insólito, a jovem decide a sua sorte, deixando para trás a sua família, e seguindo a sua vontade. Mas, apesar de usufruir do seu livre-arbítrio, depressa reconhece que os Intrépidos não são tão corajosos quanto pensa, envolvendo-se numa teia revolucionária, cuja magnitude ela ainda não conhece.

Tris sabe que é uma Divergente, um alvo a abater pelas suas capacidades únicas, e tem de sobreviver sem dar nas vistas.

Com a nova facção, vêm amigos como Will e Christina, e Quatro. Quatro é um dos instrutores dos iniciados, e uma peça importante na acção e no coração de Tris.

Há bastante tempo que pretendia ler este livro, pois tão bem afamado é, mas nunca pensei que ao fazê-lo, estaria a embarcar numa viagem vertiginosa que me levaria a uma leitura viciante, prendendo-me a este mundo de Veronica Roth, de forma viciante!

"Divergente" está carregado de muita acção (confesso que certos momentos de tensão foram quase insuportáveis, mas tão necessários!), frustração (perante todos os obstáculos que surgem no caminho de Tris, que me fizeram gritar, na tentativa de ajudar a protagonista), romance (Quatro e Tris são absolutamente fenomenais juntos, e apesar da estória de amor não ser o ponto fulcral da trama, é, sem dúvida, o elemento que dá força e ternura, no meio de tanta escuridão), e por fim, carregado de personagens sólidas e com as quais me identifiquei logo de imediato.

É impressionante como Veronica Roth consegue, através da sua escrita pormenorizada e fluída, enquadrar o leitor neste seu mundo divergente. É quase como se o vivêssemos, como se fizéssemos parte dele!

Tris é, a partir deste momento, uma das minhas protagonistas favoritas de romances Young Adult!

Dotada de uma força de vontade, carácter e inteligência ímpares, Tris deixa a sua "marca" no leitor, sendo difícil esquecer os actos da protagonista. A sua coragem e busca pelo conhecimento são notárias, assim como a sua constante luta pela sobrevivência.

É-me difícil traduzir em palavras o quão espantoso é este livro. 

Recomendo a sua leitura a todos os intelectuais corajosos e aventureiros!

Mal posso esperar por ler "Insurgente"!